segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Dificuldade de sonhar

Querido eu,
Ultimamente tenho tido uns sonhos bem desagradáveis. Na realidade, eles começam maravilhosos. Se eu nunca sonhava sobre mim, ultimamente eu venho aparecido bastante e estou sempre feliz e as coisas dando certo. Mas, sempre tudo é interrompido tão drasticamente. Como se eu não possuísse o direito de sonhar.
Já nos sentimos assim antes, lembra? De como era perder os dias a sonhar e imaginar e depois se sentir tão, mas tão pior... E a vontade de morrer sufocante para pelo menos livrar o mundo da nossa existência vazia. E são sonhos tão bobos, desejos de sucesso tão babacas. Não estou falando de ser dona do mundo, apesar de você saber mais do que ninguém como eu apreciaria isso. Só sonho com amigos, com ser feliz, com ser capaz de lutar e de viver. Não é muito, acho. E ao mesmo tempo é tanto. Eu só queria fechar os olhos e deixar de existir de uma vez, sinceramente. Não quero mais minha mente me castigando. Não quero mais esses sonhos ruins. Não quero ninguém se metendo na minha imaginação.
Mas, mesmo que não tenha ninguém para falar sobre as coisas na minha cabeça, mesmo que a solidão aperte, mesmo que uma palavra seja o suficiente para me destroçar, mesmo que as coisas voltem a ficar ruins quanto eram... Eu vou continuar. Eu sei disso. Você sabe disso. Porque...porque bem, somos nós. Nós sempre continuamos, mesmo depois que tudo acaba e nada vale a pena. Nem que seja pela curiosidade mórbida.
Te amo. Sempre.
-RC

Luz

Querido eu,
Tem faltado bastante luz esses dias. Bota bastante nisso. A sede da Copa de 2014 não consegue manter a energia. Brilhante, não? Em teoria o nível das nossas hidroelétricas está muito baixo por conta da falta de chuvas, mas fazer um racionamento não vale a pena, porque pega mal. Que lindo pensar nisso. Mas, como a escuridão ataca as áreas menos favorecidas, não é como se alguém ligasse. O Mah diz se sentir impotente diante disso. Não sei dizer como me sinto, só agradeço não estar tão quente. Você se lembra da época do apagão? Da falta de luz com chuva? De gritar com os trovões? Brincar de lego a luz de velas? Das histórias?  De pique-esconde no escuro? Espero que sim.

-RC

Helpless

Querido eu,
É engraçado como as vezes tudo dá errado. Essa semana não deu tudo tudo errado, mas muitas coisas deram. E outras foram divertidas. Só que dentre as coisas que deram certo, pouca coisa é realmente relevante. E entre as coisas que deram errado, quase tudo era importante. Bem, o que eu ia dizer é que é o nosso humor anterior aos acontecimentos que muda a maneira como o encaramos. Não pude ajudar alguém que eu amo muito ontem. Por incapacidade minha, falta de tato. Isso dói. E eu juro que por mais que deva ser óbvio o que fazer nesse momento não me aparenta ser nada fácil. Claro que isso acontece simplesmente porque não me encontro feliz. Porque sim, se eu estivesse feliz eu saberia o que fazer melhor e provavelmente, ele não teria ficado tão mal assim.
E ainda por cima eu não aguentava mais ficar acordada e isso é detestável. Só que realmente não me aguentava em pé. E nem, deitada. Queria ajudar mais quem eu tanto amo. Ia ser tão bom ver o sorriso dele e tê-lo feito ir dormir tranquilo, com um leve sorriso no rosto. Nunca soube fazer isso. Talvez seja isso que eu precise em 2013.
-RC

Aulas


uerido eu,As aulas recomeçaram e eu espero que seja o unico ano da minha vida na UFRJ a ter aula em Janeiro, no Rio de Janeiro. As temperaturas ainda não baixaram, esses quase 40 graus todos os dias faz com que eu me sinta doente. Junto com a falta de luz ,causada em parte pela falta de chuva, tem sido sofrida. Pelo menos preveem uma frente fria em breve. Curiosamente tem sido otimo estudar mas ferias de todo mundo. Os ônibus tem estado mais vazios e o trânsito melhor. Parece ferias, mas não é.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Paris

Querido eu,

Você já voltou a Paris? Espero que sim. Sonho com a cidade dia e noite, com os dois anos de curso básico que preciso antes de passar um ano lá pelo Ciência sem Fronteiras. Não só Paris, imagino o que deve ser viver na Europa. Imagino acordar cedo, comprar uma baguette e sair andando com ela, comer as margens do Sena, entrar nos sebos, voltar para meu pequeno studio (não sem antes passar no marché) e ir para as aulas. Sim, eu penso até nas aulas. Penso no metrô. Penso em ir no final de semana para a Itália.Ou para Londres. Ou para o interior da França mesmo. Penso tanto que enlouqueço. Ou chego perto disso.
Me sinto meio menininha e boba por sonhar com uma cidade tão desejada por tantos. Mas também carrego no peito a certeza que gosto mesmo de lá. Gosto de como eles não são tão a favor de contato humano como aqui, como as pessoas não se metem tanto na sua vida. Gosto da variedade, de como os arroundissements se diferem. Gosto como ela me conquistou, não num primeiro momento, não num sonho com a torre Eiffel e sim tão aos poucos. Gosto dessa cidade em que o Rio de Janeiro tentou tanto se inspirar.
São 2 anos. Dois anos de sonho, de dificuldades com engenharia, de curso de francês. E podem ser mais, eu sei. Talvez não seja a França. Talvez seja outro país igualmente agradável. Talvez seja a Inglaterra, também tão querida. Contudo fica o pensamento que eu nunca me sentirei tão longe e tão perto de casa como em Paris. Espero mesmo que tudo tenha dado certo para você. Acho que ninguém deseja isso mais do que eu.


RC


domingo, 6 de janeiro de 2013

Sobre a idiotice humana

Querido eu,

Você ainda se irrita com a maneira como as pessoas agem? Espero verdadeiramente que sim ou que pelo menos essa "carta" te acorde novamente. De verdade. Hoje eu ouvi gente reclamar da nossa ministra da Cultura por causa de um "suposto" projeto de lei. Suposto mesmo, não tem em lugar nenhum, mas as pessoas gostam de compartilhar essas coisas. E nele dizia que não podia mais ser obrigatório a criança participar de festas como dia dos pais e das mães e que ao invés de vir escrito nos documentos pai e mãe, viria escrito filiação. Para não causar desconforto em crianças adotadas por casais homossexuais ou que não tenham um dos pais. E as pessoas comentavam como ela está querendo destruir a família, é uma devassa e merece morrer. Dói. Dói muito. Como as pessoas acham fácil julgar e jogar uma pedra quando elas só estão pensando em si próprias. Em como elas gostam de ter mãe, pai e acham legais as festinhas. Elas não pensam que existe uma parcela da população que se sente incomodada e que é tão gente quando eles. Só que não são. Para essas pessoas, os diferentes não são gente. Deve ser bom ser branco, heterossexual de classe média. Parece fácil e digo por eu mesma. Não porque eu sou, mas porque eu sofro menos julgamento pela minha cor de pele e por ter um relacionamento estável com um homem. Queria que pelo menos soubessem olhar através da própria realidade.
Isso me deixa triste... Quase desolada.

RC

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ano novo

Querido eu,
É engraçado como as pessoas se encontram tão esperançosas com um início de ano, como parece que tudo vai mudar quando na realidade as pessoas continuam as mesmas. Parece até que todos os problemas irão deixar de existir simplesmente porque bem, 2012 acabou, 2013 tá aí e esse foi um ano horrível sabia? Ano que vem vai ser muito melhor. Ou mesmo que 2012 tenha sido um ano ótimo, 2013 vai ser ainda melhor. Todos vamos ficar mais magros, inteligentes, ricos e bondosos. E o mundo vai ser todo rosa e colorido. Que nem falaram na passagem de 2011 para 2012. Só uma coisa realmente houve de diferente esse ano. Entramos numa nova era e o calendário maia acabou. Ponto final. E isso sim é importante porque significa que eu que nasci em 91, vivi 2 moedas diferentes, nasci antes do impeachment do Collor (a despeito de eu não lembrar), nos últimos anos da URSS, vi a morte do Senna, li Harry Potter no início, vi a virada do milênio (a oficial de 2000 para 2001 e a outra), a morte do Oscar Niemeyer e agora vi o fim do calendário Maia. E isso sim seria importante, porque isso é história. E  provavelmente vi o nascimento de outras tantas pessoas importantes e pude ver os desenhos que eu vi quando criança e é bom que um novo ano venha e mais coisas para acompanhar. Se ele vai ser muito diferente? Bem, provavelmente não. Certas coisas certamente serão e no geral não são coisas que podemos interferir, é só o ciclo da vida a passar. Mas, eu serei diferente? Terei atitudes diferentes? Se não tiver, só posso dizer que vai ser basicamente o mesmo ano, só que com um número diferente no final. Espero que quando você ler isso, 2013 já tenha passado. Espero que você tenha essas respostas.

Ps: Você continua achando engraçado as pessoas agradecerem os anos? Como se eles fossem uma criatura real ou até uma pessoa e ele tivesse escolha entre mudar ou não? Espero que sim.

RC