sábado, 4 de janeiro de 2014
2014
Estamos em 2014. E eu não consigo desligar minha mente sobre o futuro. E eu não consigo viver o presente. Nem é que eu não faça as coisas é só que mesmo as coisas que eu faço não parecem dignas de lembrança. Eu sei que só preciso parar com tudo isso. A verdade é que não há como. Mas há uma consciência lá dentro de mim, de ti, que me diz que em 10 anos todos esses problemas terão se resolvidos sozinhos e eu estarei me angustiando com outra coisa. Quando eu tinha 12 anos eu me angustiava muito pensando em notas que hoje em dia não importam nada sabe. Eu podia ter usado esse tempo para outra coisa. Mas, eu não sei que outra coisa seria. Não quero ter 40 anos e minhas maiores lembranças serem de problemas inexistentes. Não sei fazer isso ainda, mas é isso que quero aprender. E você? Já aprendeu?
Por favor, diz que sim.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Escovar dentes
Você ainda odeia escovar os dentes no banheiro? Espero que você tenha melhorado nisso. De qualquer forma deixa eu te lembrar que você no presente momento, ainda se sente meio encarcerada por ter de ficar dentro do banheiro, mesmo gostando do banheiro, problema esse que não se repete com banho e outras necessidades. Mas escovar os dentes... E o pior é que você é muito ruim nisso. Não em escovar dente em si e sim escovar os dentes sem uma pia embaixo. Treco esquisito esse, não?
Espero que você tenha um banheiro bem legal com uma janela que permita que você se sinta livre. Ou você pode pegar uma bacia e fazer de pia portátil, mas isso dá trabalho.
domingo, 14 de abril de 2013
Mundo
O mundo me assusta de um jeito devastador. É tanta intolerância, dor, vontade de sobrepujar os outros, de dizer que o outro é errado. Vontade de encaixar tudo no preto e no branco quando temos tantas facetas. Eu não agüento mais. Eu sei que é bobeira mas eu não sei conviver com tudo isso. Eu sou idiota demais, eu não agüento. Eu só quero colo e ficar longe das pessoas. Tem dias que isso é suportável claro. Sabe , eu pretendo me formar. Mas é muito difícil lidar com esse ódio acumulado. E que quando não é o ódio é só um desalento. Uma vontade de que tudo acabe. As pessoas não sabem pensar, não sabem argumentar, parece que o ego é maior que o planeta. Não conseguem ver um palmo a frente da própria realidade como se todos vivessem o mesmo modelo de família, de sociedade e só houvesse uma resposta certa. Quando na verdade não a quaisquer resposta correta.
Está perto do nosso aniversario. Quanto tempo faz que eu escrevi isso? Você se conformou? Eu me conformei e virei uma ovelha? Não quero ser uma ovelha. Não quero ter virado uma decepção para eu mesma.
Queria que houvesse outro mundo. Esse aqui não faz sentido para mim e faz minha cabeça doer. Não sei o que é isso que tem nos seres humanos, só sei que acho difícil considerar o adjetivo humano como algo positivo. Quero muito ir embora daqui. Por favor, tenha arranjado uma solução. E que seja em breve porque essa realidade está insuportável.
Atenciosamente,
RC
sábado, 13 de abril de 2013
Pausa
Querido eu,
Você se lembra como a vida costumava ser diferente? Em todos os sentidos? Como era se sentir sozinha, como era estar cercada de livros, como era se sentir tão segura? E ao mesmo tempo tão vazia?
São lembranças que você devia ter. Você devia se lembrar de quando você teve a idéia desesperada de querer ir na Igreja? Você queria se livrar de fantasmas, você queria fazer amigos. Você se forçou a retiros, você se forçou a se divertir, a viver. Não deu tão certo, não? No fundo você estava pior do que antes pois estava longe de si mesma.
Você se lembra dos seus primeiros amigos de verdade? Que mesmo assim as coisas não estavam bem? Você precisava confiar, mas você não era capaz. Em casa diziam: Não fale isso para ninguém o tempo todo. Como você poderia falar?
Lembra de como você queria que sua mãe pudesse estudar com você? Lembra como você estava morrendo de medo do novo colégio? De estudar a noite? Lembra que precisavam de você durante o dia? lembra de tudo que você queria fazer e não pode? Lembra que você ficava fazendo relatórios dos dias em casa? lembra como foi difícil ficar longe da Nath? Lembra de como você tava de saco cheio do MV1?
E de como o Newton era um lugar estranho? Como foi um ano tão diferente dos outros em todos os sentidos? Você se lembra do final daquele ano? Da crise, da cirurgia, da vida diferente em casa? E o CEFET? Você se lembra como foi receber a notícia? Você tinha acabado de saber que não havia passado pelo concurso interno e aí seu pai te ligou... Você se lembra mesmo? Porque foi muito importante. Porque você sentiu naquele momento que você era útil. E faz tanto tempo que você não se sente assim.
quinta-feira, 21 de março de 2013
São Paulo
São Paulo é uma cidade tão magica e ao mesmo tempo tão caótica. Em muitos pontos se diz que é cidade para os novos, que assusta alguns. Me sinto seduzida por aqui, a vontade de me mudar é gigantesca, mesmo ciente dos defeitos da cidade. Ainda assim ela me atrai loucamente. Talvez seja fase, é provável que passe. Talvez seja só por causa da comida... Mas me parece tão divertido viver por aqui. Como se a cada dia pudesse ter uma novidade e ir pro trabalho fosse uma aventura. Gosto daqui. Preferia um bairro com mais coisas próximas mas ainda assim... Gosto Sá organização, gosto de estar no centro, gosto das opções, da muvuca, do metro lotado, dos sebos, da chuva, dos cheiros nas ruas, das pessoas de chapéu. Será que com o passar do tempo essas coisas perderam importância para nós? Será que mudamos muito? Será que você sente minha falta? Espero que você seja como meu eu de agora espera ser. E espero que SP não tenha se tornado apenas a cidade cinza de prédios grandes onde as pessoas só trabalham e não vivem.
Um abraço,
RC
sexta-feira, 1 de março de 2013
Amigos
Com amor,
RC
(._.) Please, don't be alone.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Dificuldade de sonhar
Ultimamente tenho tido uns sonhos bem desagradáveis. Na realidade, eles começam maravilhosos. Se eu nunca sonhava sobre mim, ultimamente eu venho aparecido bastante e estou sempre feliz e as coisas dando certo. Mas, sempre tudo é interrompido tão drasticamente. Como se eu não possuísse o direito de sonhar.
Já nos sentimos assim antes, lembra? De como era perder os dias a sonhar e imaginar e depois se sentir tão, mas tão pior... E a vontade de morrer sufocante para pelo menos livrar o mundo da nossa existência vazia. E são sonhos tão bobos, desejos de sucesso tão babacas. Não estou falando de ser dona do mundo, apesar de você saber mais do que ninguém como eu apreciaria isso. Só sonho com amigos, com ser feliz, com ser capaz de lutar e de viver. Não é muito, acho. E ao mesmo tempo é tanto. Eu só queria fechar os olhos e deixar de existir de uma vez, sinceramente. Não quero mais minha mente me castigando. Não quero mais esses sonhos ruins. Não quero ninguém se metendo na minha imaginação.
Mas, mesmo que não tenha ninguém para falar sobre as coisas na minha cabeça, mesmo que a solidão aperte, mesmo que uma palavra seja o suficiente para me destroçar, mesmo que as coisas voltem a ficar ruins quanto eram... Eu vou continuar. Eu sei disso. Você sabe disso. Porque...porque bem, somos nós. Nós sempre continuamos, mesmo depois que tudo acaba e nada vale a pena. Nem que seja pela curiosidade mórbida.
Te amo. Sempre.
-RC